Agronegócio brasileiro e perspectivas diante da pandemia do coronavírus

Por Joaquim Carlos Lourenço




O Brasil situa-se como celeiro mundial em termos de produção do agronegócio. O país possui quase 1/4 das terras agricultáveis do mundo, além de elevada tecnologia utilizada no campo, o que torna o setor moderno, eficiente e competitivo no cenário internacional. Ama evolução que remonta ao século XVI.
Com um clima diversificado, chuvas regulares, energia solar abundante e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta, o Brasil tem 388 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade, dos quais 90 milhões ainda não foram explorados, conforme Lourenço 2009.
Esses fatores fazem do país um lugar de vocação natural para a agropecuária, agricultura e agroindústria, ou seja, todas os negócios relacionados às suas cadeias produtivas, horizontais e verticais. O agronegócio é hoje a principal locomotiva da economia brasileira e responde por um em cada três reais gerados no país. Durante muitos anos o setor vem sendo responsável pelo superavit primário da balança comercial.
O agronegócio é um dos setores que mais tem apresentados saldo positivo na geração de empregos diante do cenário de crises dos últimos anos, mesmo com dificuldades logísticas e o alto custo país. As exportações do agronegócio caíram 4,3% em 2019, um que significa uma queda de 5% no superavit. O total das exportações somaram US$ 96,79 bilhões no ano, bem abaixo dos US$ 101,17 bilhões registrados em 2018 (Fonte: Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa).
As perspectivas e projeções para este ano já eram de baixa, mas com a explosão de casos de coronavírus pelo mundo e, por conseguinte, a pandemia, muitas restrições econômicas foram tomadas em quase todos países do planeta, muitos setores tiveram que fechar totalmente suas operações, e apenas os setores considerados essenciais permaneceram funcionando, entre os quais: entregas e logística (transportes de cargas), supermercados e mercadinhos, estabelecimentos de saúde, e farmácias, padarias e restaurantes, sendo este último apenas na modalidade delivery.
O agronegócio é um dos setores considerados essenciais, por ser responsável pela produção e processamento de alimentos, logo, mesmo com a pandemia do Covid-19, os trabalhos no campo e indústrias alimentícias não pararam. Nos primeiros meses do ano, o setor já movimentou:
  • Exportação em janeiro: US$ 5,83 bilhões, 9,4% menos que em igual mês de 2019;
  • Exportação em fevereiro: US$ 7,25 bilhões em fevereiro, 15,6% mais que em igual mês de 2018 (MAPA);
  • Exportação em março: US$ 9,29 bilhões, aumento de 13,3% em relação ao ano anterior, crescimento em valores absolutos de US$ 1,09 bilhão.
Alguns produtos do agronegócio bateram recordes históricos mensais de exportações em volume no mês de abril, segundo Ministério da Economia. As vendas externas da agropecuária brasileira tiveram um crescimento de 17,5% pela média diária nos quatro primeiros meses do ano, comparando com igual período do ano anterior. Apesar da pandemia do coronavírus, a participação do agro no total das exportações passou de 18,7% em 2019 para 22,9% em 2020. O produto que teve mais aumento no período foi a soja, com 29,9%, de US$ 8.968,3 milhões para US$ 11.653,7 milhões.
De acordo com o 7º levantamento da safra 2019/2020 divulgado pela Conab, o país deverá colher até junho 251,8 milhões de toneladas de grãos como soja, milho, arroz, feijão e trigo. A área plantada é de 65,1 milhões de hectares. A soja, principal grão de exportação, deve ter 122,1 milhões de toneladas colhidas, aumento de 6,1% em relação à safra 2018/19. O milho deverá apresentar uma produção de 101,9 milhões de toneladas.
A área plantada nesta safra 2019/2020 é estimada em 65,1 milhões de hectares, um crescimento de 2,9% ou 1,85 milhão de hectares em relação ao ano anterior. A produção de grãos no país poderá atingir um volume de 251,8 milhões de toneladas, 4% ou 9,7 milhões de toneladas superior à obtida na safra 2019/2018. O feijão foi o grão que mais cresceu em produção, 8,3% superior ao volume produzido na última safra.
Diante da pandemia do Covid-19, o setor de serviços, comércio e indústria anunciaram demissões, o agronegócio manteve os empregos existentes e em alguns casos contratou mais. Apesar da queda nas exportações registrada no primeiro trimestre, o câmbio alto tendo a favorecer os ganhos do setor, além do aumento na produção. As perspectivas tendem a ser positivas, já que o mercado para os produtos do agronegócio não foi totalmente fechado.


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